sábado, 18 de julho de 2015


Dicas nunca são demais

            “Sobre a escrita” foi um livro que tive vontade de ler de imediato assim que vi seu lançamento. Como recusar dicas vindas de um dos maiores escritores do mundo?
            Confesso, envergonhada, que nunca li nada do King. Sim, nunca li porque tenho uma dificuldade muito grande de me encontrar em livros de suspense e terror. Nunca consegui ficar realmente assustada - até recentemente com “Deixa ela entrar” (mas isso é assunto para outro post) – com livro de terror. Então pensei que ler sobre a forma como eles são produzidos me fizesse entender melhor seu funcionamento e assim me entregar ao medo numa próxima leitura ou perdoar ineficácias que antes desconhecia.
            Então precisamos começar por aí, o livro são dicas de escrita para aqueles que vão produzir livros de ficção e de suspense. Ponto. Apesar de ter dicas gerais de pontuação, construção frasal, escolha vocabular e estilo que são úteis até para alunos do Ensino Fundamental, elas são poucas perante o objetivo do livro. Então não adianta criticar as dicas levantadas como parcas ou superficiais, porque esta foi realmente a intenção do King. Ele mesmo começa o livro dizendo que a chance de ele ser um fracasso e falar muito sem dizer nada é de 100%. Rs. Pois é.
            Por isso o livro é leve, despretensioso. E por isso funciona. Ele começa com King contando de sua vida, fazendo uma pequena autobriografia toda voltada obviamente para seu processo de escrita, formação acadêmica, familiar e emocional que o levaram a se tornar o profissional que é. Depois ele nos fornece dicas preciosas. E bem específicas. Como montar seu escritório. Durante quantas horas trabalhar por dia. Qual o melhor horário. Quando deixar as pessoas lerem seu rascunho. Como construir personagens. Usar voz passiva ou ativa. Blábláblá.
            E não se assuste com os termos gramaticais, porque todos eles são explicados e exemplificados (o que é a melhor parte, porque são muito ilustrativos) no livro, já que o público pretendido por King é... você, eu, todo mundo que queria ler, escrever ou criticar ficção.
            Mas o importante de se lembrar é que o King dá dicas que funcionam PARA ELE. Gente, se conselho fosse sempre muito bom e funcionasse, minha vó estaria rica. Não é bem assim. O que funciona para ele, não funciona para o Leonardo Padura, por exemplo, que disse tudo oposto do King numa palestra dada na Flip. Isso quer dizer que não funcione em nada para você. Para mim por exemplo, metade das dicas seriam inúteis, porque não consigo começar a escrever nada sem planejar seu começo, meio e fim. Não tem essa de ir descobrindo a personagem e se assustando com as cenas conforme as crio. Mas o King acredita que sim, se o escritor se assusta, o leitor também o fará. Isso soa pobre para fim, fácil demais, com muitas possibilidades de incongruência e fios soltos ao longo do texto que não teve planejamento prévio. Mas... quem sou eu pra brigar com ele? E isso jamais funcionaria para um drama familiar, para uma história de amor. Mas para o terror... pode ser...

            Bom, ademais do demais, adorei o livro. Leve, divertido, útil e que me deu um gostinho de ler histórias de terror pra já!
Escrito por Nathália Mondo Data: 7/18/2015 07:31:00 PM 1 comentário

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