sexta-feira, 20 de março de 2015


Tomates

Tomates. Vermelho. Amargo. Vida. Amarga. Tomate. Madrasta. Amarga. Partida. Triste. Tomate. Família.
Não vejo melhor maneira de descrever esta obra. Mas que coisa incômoda!
Descobri que o tinha na prateleira no susto. Estava tentando organizar a fila de livros não lidos – que, por sinal, é impossível de ser organizada já que muda conforme o humor, o período do mês, o tamanho do livro, a tara e a preguiça -, e percebi que “Vermelho amargo” estava na estante. Não me pergunte como ele foi parar ali.
Já que havia visto vários blogs no último mês comentando sobre ele, e também por ele ser fininho, decidi dedicar meu sábado a ele. Peguei o volume de capa dura, que se assemelha realmente à madeira, o que até dificulta seu manuseio. Sentei no sofá e encarei as letras tão vermelhas quanto a capa. E fui embora. Sem conseguir parar até terminar as míseras – porém intensas – 60 páginas.
O livro é mais um conto que uma novela ou romance. Mas tem uma densidade inusitada para tal gênero. É mais lírico que narrativo. E que poesia! Que linguagem! Toda definição de prosa poética se encontra nele.
Uma família. Muitas partidas. Uma nova mãe. Muita tristeza. E muitos... tomates. Eles compõem toda a metáfora de dor, abandono, partida, saudade, tristeza e substituição que o livro retrata. Lógico que teria que ser um tomate, comida odiada por metade das crianças do mundo, inclusive por aquela que nos narra a história. E quanta tristeza e quantos tomates para uma criança só.
Infelizmente é impossível falar muito sobre esse livro, assim como é impossível falar sobre um poema plenamente. Ele tem que ser lido.

Então mãos a obra!
Escrito por Nathália Mondo Data: 3/20/2015 09:06:00 PM Comente!

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