terça-feira, 23 de dezembro de 2014


Tudo junto e misturado

            “Lua de larvas” para mim foi uma mistura de todas as distopias que já li ou que conheço por osmose – “Admirável Mundo Novo”, “1984”, “Jogos Vorazes”, “Divergente” e companhia. Seguiu meio que aquela receita de vó que pega tudo o que tem na geladeira, mistura numa frigideira e faz um super omelete que quase tem vida própria.
            Estamos em 1956, ano em que o homem supostamente pisou na lua. E é justamente sobre o termo “supostamente” que este romance quer tratar. Acompanhamos alguns dias na vida de um adolescente de 15 anos, num mundo destruído pelas guerras, sob um regime totalitário, abusivo, violento e pouco educativo. Apesar dessas estranhezas que são o que realmente prendem a atenção do leitor que gosta de fantasia, o que repercute no livro mesmo são as características da sociedade de hoje que sobreviveram ao massacre descrito no livro. Conflitos familiares, amor senil, bullying, homossexualismo, corrupção são os temas que imperam no livro, como que para mostrar que mudem os tempos, mudem os meios, o ser humano está fadado a resolver seus conflitos interno custe o que custar.
            É interessante ir descobrindo o ambiente pouco a pouco, conforme a personagem, que é bastante alienada quanto ao seu entorno, contexto político e sobre sua própria vida familiar, também o vai descobrindo. Tudo parece meio confuso no início, mas tudo vai se ajeitando e fazendo sentido ao longo da escrita. Não que a situação da personagem vá ficando melhor, mas o leitor vai se aconchegando à história e fazendo mais parte dela.
            As cenas escolares para mim são as que mais me marcaram, talvez por ser professora e viver nesse meio todo santo dia. Mas a violência corre solta ali. Num ambiente que deveria ser de compreensão e acolhimento, as mais ultrajantes atitudes de repressão, deseducação e manipulação ocorrem.
            Do que não gostei foi do tom a la mal-do-século romântico que o livro nas páginas finais. Mas ainda assim fez sentido para o extremo final (última página) escolhido pela autora.
            Mas as ilustrações bastante significativas, metonímicas e sarcásticas é que ganham o leitor. Eu, por exemplo, li desenfreadamente 190 páginas quase que sem parar só para poder saber como o desenho iria se desenrolar na página seguinte.

            O livro é um bom primeiro passo para quem quer se aventurar num mundo distópico.
Escrito por Nathália Mondo Data: 12/23/2014 06:44:00 PM Comente!

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