domingo, 21 de dezembro de 2014


Coisas demais e espaço de menos

            Essa foi a sensação ao ler “Areia nos dentes”. O livro tem 110 páginas e se predispões a falar de tanta coisa em formatos inusitados que, quando cheguei ao final do romance, senti que algumas coisas foram superficiais demais, pouco exploradas, ou que não tiveram a conclusão merecida.
            Fiquei sabendo do livro por indicação de um vlog que sigo e decidi comprar o livro. Me arrependi logo nos primeiros capítulos. Entendi que o objetivo do escritor era acabar com os padrões de leitura homogênea, linear. Para isso, ele fez uso de metalinguagem, diagramação inovadora etc. Senti que entendi a piada no final, mas que achei que ela poderia ter sido contada de forma melhor.
            A apresentação é do Daniel Galera, um autor de quem gosto muito, e que logo nos surpreende dizendo que o livro é de um brasileiro, contando uma história de faroeste mexicano, com zumbis. Sério. Zumbis. Apesar de ambientação ser típica de faroeste, pouco de ação, confronto e tiros realmente acontecem. Os zumbis demoram muito para aparecer, não têm conclusão para suas ações e pouca descrição sobre suas fisionomias. O livro acaba sendo, na verdade, um drama familiar, que aparenta ser muito complexo, mas que não foi plenamente desenvolvido pelo número de páginas disponíveis.
            Esse drama se assemelha muito com “Cem anos de solidão” pelos personagens terem o mesmo nome nas diversas gerações familiares e por deus destinos e maldições se repetirem. Mas nada parece que vai pra frente, porque o autor quebra o sentimentalismo e reflexão das personagens com discussões metalinguísticas.
            A diagramação foi aquilo que realmente para mim teve saldo positivo, pois é inesperada, inovadora, engraçada e útil. Vale a pena por isso. Mas toda a história promissora que um título tão forte quanto esse prometia não foi bem pensada, na minha humilde opinião.
            Não gostei das personagens, de suas ações, de seus desejos. Tudo estava ou claro demais, óbvio - pela construção ou porque o narrador não se continha e expunha todo o mistério -, ou a trama não explicava nada, e muita coisa que ficasse para o intelecto do leitor.

            O que ficou do livro pra mim? A mensagem de que os mortos nunca realmente morrem. Os zumbis são mera metáfora personificada de que a memória daqueles que se foram nunca realmente se dissipa. Independente da quantidade de areia que se jogue por cima deles.
Escrito por Nathália Mondo Data: 12/21/2014 02:50:00 PM Comente!

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